Publicado em 24/07/14, às 11:58

Fazendas

NO VALE DO CAFÉ – FAZENDAS

BARRA MANSA

Fazenda da Posse

Centro de Cultura Fazenda da Posse

 

Marco histórico do município de Barra Mansa, a sede da Fazenda da Posse teve sua construção concluída em 1768. Joia do estilo colonial brasileiro (com influencia do barroco europeu), esse prédio de linhas singelas mas, profundamente expressivas, caracterizou-se por apresentar elementos originais como as telhas tipo “coxeira”, pau a pique nas alvenarias externas e internas do primeiro piso com a estrutura aparente, alcovas e janelas “fora do prumo” do andar superior. A planta primitiva foi alterada nas diversas reformas pelas quais passou, mas na última, por iniciativa de grupos ligados à preservação histórica da cidade e com patrocínio do Sistema Firjan, praticamente reconstruiu o casarão que se encontrava em ruínas. O trabalho executado contou com a preciosa colaboração do Sistema Firjan (federação das Indústrias do Rio de Janeiro) em parceria com profissionais do IPHAN e da prefeitura municipal de Barra Mansa.

 

Na recuperação do prédio foram utilizados elementos das construções originais (vigamentos, esquadrias) e material da mais nova tecnologia como lâmpadas dicroicas necessárias para a realização de exposições de artes plásticas frequentes na atual programação da casa, No entorno da casa destaca-se um gramado com jardins, árvores e fonte, onde nos dias festivos são instaladas tendas para apresentações musicais e de outros gêneros. A gestão do Centro de Cultura fazenda da Posse é partilhada pelo SESI Barra Mansa e a Fundação de Cultura, Esporte e Lazer de Barra Mansa, responsável pela gerência artística do casarão a qual vem organizando desde o início da primeira administração do projeto Roosevelt Brasil Fonseca em 2001, uma média de oito exposições artísticas anuais e inúmeros cursos, workshops e oficinas abertas à comunidade regional. Um conselho formado por membros do SESI e da Fundação de Cultura dedica-se a traçar os rumos da instituição e estabelecer novas regras e critérios para o seu melhor desempenho no futuro.

 

Encontros com a Arte – Arte e professor

 

O programa Encontros com a Arte para professores propõe reflexões sobre a educação e o conhecimento, criando inter-relações entre diferentes disciplinas como a história da arte, o ensino e o fazer artístico. O intuito é aproximar professores e arte e estimular reflexões e debates sobre uma concepção atualizada de educação, sobre aspectos da didática e sobre conhecimentos necessários ao educador.

 

Encontros com Arte – Arte e Alunos/ Arte e comunidade

 

O programa Encontros com a Arte para alunos e comunidades, propõe uma visita orientada à casa, à exposição e atividades de arte em oficinas. Com o intuito de aproximar o público da obra do artista, são elaborados laboratórios de arte com atividades de desenhos, pintura, modelagem, exibição de filmes, imagens e músicas, dentro do contexto da exposição.

 

Sala Dr. Mário Ramos

 

No pavimento superior do Centro de Cultura Fazenda da Posse encontra-se a sala dedicada à memorabilia do Dr. Mário de Oliveira Ramos que nasceu em Barra Mansa em 25 de abril de 1882 e que exerceu a medicina nessa cidade, a partir de 1907. Filho do Dr. José Hypólito de Oliveira Ramos e de D. Francisca Júlia Alves de Oliveira, neta do Barão de Guapy, casou-se em 1907 com Valentina Borges Vieira Ferraz, indo residir no casarão da Av. Joaquim Leite, nº 25, onde instalou consultório no 1º pavimento do sobrado. Formou enorme clientela na região atendendo a todos os que por ele procuravam, em sua grande maioria pessoas sem recursos e que pagavam suas consultas com doações de gêneros alimentícios, aves e pequenos animais de criação caseira.

 

 Informações:

 

Centro de Cultura Fazenda da Posse

 

Rua Dario Aragão, 02, centro – Barra Mansa – RJ

 

CEP: 27330-050

 

Horário de funcionamento: De quarta a domingo de 11h. às 17h.

 

Contatos: Carla Giovana

 

Tel: (24) 3322-3855

 

Site: ccfazendadaposse.blogspot.com

 

Email: fazendadaposse@uol.com.br

 

 

 

Fazenda São Lucas

 

 

 

 

BARRA DO PIRAÍ

 

Hotel Fazenda do Arvoredo

 

            Antiga Fazenda Santa Maria

 

 

O Hotel Fazenda do Arvoredo localiza-se na antiga Fazenda Santa Maria, em Barra do Piraí, no Vale do Paraíba Fluminense. No século XVIII, esta região começa a ser desbravada e colonizada como o caminho para as Minas Gerais, tornando-se local de apoio da Corte para as Minas e vice-versa. Com o solo fértil, o clima ameno e a mão de obra escrava, a cultura do café obtém enorme sucesso. Transforma esses fazendeiros em empresários rurais, possuidores de grande fortuna e poder junto ao imperador, que os agracia com títulos nobiliáquicos, o que os torna conhecidos como os famosos barões do café. Com o enriquecimento dos Fazendeiros, estas unidades de produção se sofisticam. Constroem-se casas senhoriais, as casas grande, o abrigo dos escravos, as senzalas, os depósitos do café, as tulhas, dispostos em torno do pátio de secagem do café, formando assim o quadrilátero funcional.

 

A Fazenda Santa Maria mantém as características de uma autêntica fazenda do ciclo do café. O andar superior da casa grande, moradia dos barões, divide-se em três áreas distintas: área comercial, área social e área íntima, tendo ao centro o átrium, onde circulava o ar para manter uma boa aclimatação da casa. Na cozinha, encontra-se ainda o antigo fogão à lenha, datado do século XIX, em pleno e total funcionamento, responsável por um dos destaques do hotel que é culinária regional.

 

 Em 1818, o Príncipe Regente D. João doou a José Luiz Gomes, Barão de Mambucaba, extensas terras com o objetivo de nelas plantar café, atividade economicamente promissora, dando origem a Fazenda Santa Maria.

 

Em 1836, Honório Hermeto Carneiro Leão, homem de grande força política, assume a fazenda. Seu filho, Nicolau Neto Carneiro Leão, herda a propriedade e recebe o título de Barão de Santa Maria. Manda construir outra sede, maior e mais luxuosa, concluída em 1858. Em 1903, a fazenda é adquirida pelo Conde João Leopoldo Modesto Leal, juntamente com outras 30, dentre as quais a Fazenda Ponte Alta.

 

Em 1982, a antiga Santa Maria é recebida como herança pelos irmãos Ana e Augusto Pascoli, que a transformaram em Hotel Fazenda em 1992, iniciando assim, um novo ciclo: o do turismo. Ana Heloísa, prematuramente falecida em maio de 2001, foi junto com seu irmão, Augusto Eduardo, Sócia Fundadora do Instituto PRESERVALE, promovendo e apoiando o Turismo Cultural e Ecológico, não apenas como empresários do setor, mas com a sua atuação e dedicação pessoal a memória do Vale e sua história.

 

No Hotel Fazenda  do Arvoredo, o visitante poderá desfrutar de um tour pela sede, aprendendo sobre mobiliário, arte, e arquitetura do século XIX com o próprio Barão de Santa Maria e sua esposa, interpretados por funcionários do Hotel trajados a caráter. Após o tour, o turista é convidado para uma Chá Imperial, no qual degustará todas as iguarias típicas da culinária do século XIX.

 

Fonte: Fazenda Santa Maria

 

Texto: Adriano Novaes e Sonia Mattos Lucas

 

Informações: Tel: (24) 2447-2001

 

Site: www.hotelarvoredo.com.br

 

 

Fazenda Ponte alta

 

A fazenda Ponte Alta teve como primeiro proprietário José Luiz Gomes, o Barão de Mambucaba, então grande sesmeiro em Angra dos Reis. Em 1808, o Barão requereu sesmarias nesta região. Construiu a Fazenda Ponte Alta por volta de 1830, quando começaram a surgir as primeiras fortunas geradas pelo café no Vale do Paraíba. Com a morte do Barão de Mambucaba, em 1855, sua filha, Rosa Luíza Gomes herdou a Ponte Alta. Esta por sua vez casou com Antônio Gonçalves de Moraes, o “Capitão Mata Gente”, filho do Barão de Piraí, grande proprietário de terras no outro lado do Rio Piraí.

 

Em 1936, a Ponte Alta foi herdada por Dona Isabel Modesto Leal, neta primogênita do Conde Modesto Leal, abastado negociante português, que adquiriu em 1903 juntamente com outras 30 propriedades, em uma carteira hipotecária do Banco de Crédito Real do Brasil. Dona Isa (como ficou conhecida) era amiga pessoal do então Presidente Getúlio Vargas, que costumava visitar a Fazenda, tendo passado seus últimos cinco aniversários na Ponte Alta. D. Isa construiu a atual sede de pedra no lugar da antiga vivenda da Fazenda. O que se vê hoje, desta antiga “Empresa Agrícola do Café”, é a parte do conjunto de serviço das antigas instalações do café, incluindo o engenho do café, o engenho de serra, a senzala, as tulhas e as oficinas, que formavam um quadrado fechado. Por tudo isso, é, na região, o mais representativo conjunto de serviço da época do café.

 

Em 1960, a Fazenda Ponte Alta foi comprada por Nellie Pascoli, empresária do setor de mineração,co-fundadora do Grupo CAEMI. Dona Nellie era apreciadora da arte brasileira e, em especial, da fase histórica do Brasil Colônia e Império. Assim, em 1972 ela recupera o antigo moinho de café da fazenda, num projeto arquitetônico de Jorge de Souza Hui, utilizando mobiliário e peças dos séculos XVIII e XIX. Em 1982, a senhora Nellie Pascoli morre e deixa a Fazenda Ponte Alta como herança para seus sobrinhos, Evelyn e Ricardo Pascoli. Evelyn Pascoly, falecida em janeiro de 2003, foi a grande pioneira do Turismo Cultural no Vale do Paraíba, tendo criado o Sarau Histórico, aonde a história da Fazenda, como parte do contexto geral da história do Vale e do Brasil, é narrada teatralmente, permitindo ao turista um mergulho no passado e uma redescoberta do presente. Diretora Executiva do Instituto PRESERVALE por quatro anos, Secretária de Turismo de Barra do Piraí, empresária de sucesso e personalidade carismárica, cativante e alegre, Evelyn Pascoli impulsionou tremendamente o Turismo na região. Hoje a Fazenda Ponte Alta tem como atividades a pecuária, a criação de cavalos da raça Mangalarga Marchador e o Turismo Cultural e Pedagógico, desenvolvidos na Pousada Fazenda Ponte Alta.

 

Fontes: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima

 

Infromações: Tel: (24) 2443-5005 ou 24435159

 

Site: www.pontealta.com.br

 

 

Fazenda São João da Prosperidade

 

A história da Fazenda São João da Prosperidade inicia-se no século XIX a partir de 1820 – 1830, quando o café começa a ser cultivado na região. Através de doações de sesmarias, Antônio Gonçalves de Moraes, o chamado “Capitão Mata Gente”, casado com Rosa Luiza Gomes de Moraes, investe na plantação de café. Era também dono da Fazenda Braço Grande (atual Ibitira), que doou a seu filho José Gonçalves de Moraes em 1843, conforme escritura passada no Cartório de Ipiabas.

 

Em 1843, ainda segundo escrituras, Antônio Gonçalves de Moraes comprou um sítio denominado Barra do Piraí e, em 1853, construiu uma ponte sobre o rio Piraí, dando início ao povoado de São Benedito, origem da cidade de Barra do Piraí. Em 1883, com a inauguração da Estrada de Ferro Santa Isabel do Rio Preto, que saia de Barra do Piraí e ia até a mesma, mais tarde denominada Viação Férrea de Sapucay e posteriormente Rede Mineiro de Viação, passou a existir a estação “Prosperidade”, que servia para o Rio de Janeiro pela estrada de Ferro Dom Pedro II. A fazenda fazia limite com a Fazenda Floresta, em Ipiabas, de propriedade da Baronesa do Rio Bonito e com a Fazenda Braço Grande. Austero, longo e simples, são os qualificativos mais apropriados para este casarão de um só pavimento, com 950m² de área construída, que possui 10 quartos e 5 salões, além de outras dependências, cujas grossas paredes externas são de pedra e as internas de pau-a-pique. Entretanto, a singela arquitetura contrasta, por um lado, com a importância histórica da Fazenda e, por outro, com a autenticidade e conservação do prédio, fruto louvável e perseverante trabalho dos atuais proprietários. Luiz Geraldo Muniz e Magide. Na frente da casa existe uma construção de pedras que provavelmente, se destinou a abrigo das tropas de mulas, que levavam o café para o Rio de Janeiro.

 

Com uma área de 40 alqueires e tendo como principais atividades a suinocultura, a pecuária de leite e de corte e a fabricação de cachaça. A Fazenda oferece visitas orientadas a grupos de turismo, recebendo grande afluxo de visitantes devido a sua localização, na Estrada Barra do Piraí – Conservatória, assim como ao excelente tour que Magide conduz, contendo informações detalhadas sobre a arquitetura e o modo de vida do século XIX no Vale. Magide e Luís Geraldo pertencem ao Instituto PRESERVALE, participando ativamente de nosso Programa de Turismo Cultural.

 

 Fontes: Fazenda São João da Prosperidade

 

Texto: Adriano Novaes e Roberto Guião de Souzalima

 

Revisão: Sonia Mattos Lucas

 

Informações: Magide Breves Muniz

 

Tel: (24) 2242-31894

 

Site: www.seresteiros.com.br/faz_s_joao_prosp.htm

 

Email: fazendadaprosperidade@hotmail.com

 

 

Fazenda da Taquara

 

Quando chegaram de Portugal, o Comendador João Pereira da Silva, em companhia de Joaquim José Pereira de Faro – Futuro Barão do Rio Bonito – estabeleceram-se nesta região da antiga Província do Rio de Janeiro (atual Barra do Piraí), nos primeiros decênios do século XIX. Nesta mesma época, o café começou a ser plantado no Vale do Paraíba e o Comendador dedicou-se a cultivar o fruto precioso. Faziam parte das propriedades do Comendador: a fazenda Campo Bom, a fazenda Ipiabas e a fazenda Nova Prosperidade (Taquara), como aparece no inventário do Comendador, falecido em 1872. O nome Taquara foi dado pelos escravos, devido a abundancia de um bambu fino, encontrado na propriedade, que era assim denominado. A sede foi construída, provavelmente na década de 30, em forma de quadrilátero com o jardim interno, sob a influência da arquitetura colonial de Minas Gerais do século XVIII.

 

A Fazenda da Taquara permanece, ainda hoje, sob o domínio da família do Comendador. Com quase dois séculos de existência, a sede, ainda em perfeito estade de conservação, preserva sua história, com seus móveis, documentos e retratos originais. A fazenda da Taquara PE de propriedade de João Carlos Tadeu Botelho Pereira Streva, descendente direto, já na quinta geração do Comendador. Outra característica desta propriedade  é ser hoje um centro de produção de café como no século passado, além de desenvolver atividades de granja de frangos e suinocultura. O casal João e Ana Maria participa ativamente das iniciativas de Turismo Cultural promovidas pelo Instituto PRESERVALE. A visita guiada a Fazenda compreende um excelente tour pela sede e antiga senzala, bem como degustação de quitutes feitos na propriedade. Atualmente a Fazenda oferece, também, almoço típico para grupos agendados com antecedência.

 

 

Fontes: Fazenda da Taquara

 

Texto: Adriano Novaes

 

Informações: Marcelo Streva

 

Tel: (24) 2443-1221

 

Email: m.taquara@ig.com.br

 

 

 

PATY DO ALFERES

 

Fazenda Monte Alegre

 

A história da Fazenda Monte Alegre está fortemente ligada a de seu mais importante e ilustre morador, Francisco Peixoto de Lacerda Werneck, o Barão de Paty dos Alferes, membro do “Clã dos Werneck”, clã este que dominou por quase 200 anos a maior parte das terras na “Serra Acima”, como era conhecida esta parte da então Província Fluminense.

 

Não foi o Barão quem construiu Monte Alegre, porém, é certo que desde o ano de 1855 o Barão residiu nesta fazenda, fazendo dela seu centro de negócios e de documentação, arquivos, etc. Das várias fazendas que possuía (sete, com centenas de escravos) era a melhor aparelhada, melhor localizada, possuidora do melhor quadro de profissionais especializados (enfermeiros, sapateiros, lavadeiras, etc. Só carpinteiro haviam 10) e a que possuía melhores instalações. A Monte alegre chegou a abrigar 200 escravos por volta 1859.

 

Uma grande reforma nesta fazenda ocorreu por volta de 1861 – ano que vamos ver em destaque na fachada – por uma razão curiosa. O imperador Pedro II veio de Petrópolis a Paty do Alferes de surpresa pela picada do Paty – hoje Estrada do Imperador – em 1858, e foi recepcionado pelo Barão de Paty em sua casa no centro de Paty (posteriormente transformada em hotel, esta casa não mais existe, foi demolida). Apesar dos insistentes apelos feitos ao Imperador para que pernoitasse em Paty, tudo indica que outros compromissos o obrigaram a seguir viagem, frustrando seus anfitriões, a despeito das ótimas impressões levadas por Pedro II.

 

Assim mesmo decidiu o Barão promover grande reforma em sua fazenda Monte Alegre, para colocá-lo a altura de visitantes ilustre como o Imperador. E assim fez. Lamentavelmente, no mesmo ano da conclusão das reformas – 1861 – morreria o Barão de Paty aqui mesmo, na Monte Alegre, em 22 de novembro , vitima de congestão cerebral (hoje mais conhecido como AVC), mal que já o afligia há algum tempo.

 

Monte Alegre possuía em seus melhores tempos: casa de moradia com oratório próprio, moinho, engenho de farinha, 59 lances de senzala, pilões, serraria, olaria, forno apetrechado, 2 lances de casa para guardar carros, 10 lances de armazéns de café e tulhas, um canavial, cafezais, 9 enfermarias para escravos, etc.

 

Em seu interior havia mobília de mognos, jacarandá, cedro e peroba, um belíssimo piano,serviços de louça da Índia incluindo aparelhos de porcelana com o brasão da família, além de outros objetos de luxo.

 

Dispunha o Barão para seu transporte, dos familiares e amigos mais íntimos (ou hóspedes ilustres) de 5 carros, 2 carretões, 2 carroças, 1 carro de 4 rodas e 2 liteiras, além de adequada estrebaria com cavalos de raça para suprir tudo isto com tração animal.

 

Com a morte do Barão, sua esposa Maria Isabel, apesar da inexperiência, assumiu seus negócios com mão firme até sua morte, em 1866. Por herança da Baronesa de Paty, coube a Fazenda a sua filha Maria Isabel Peixoto de Lacerda Werneck de Castro, futura Viscondessa de Arcozelo, em função de seu casamento com Joaquim Teixeira de Castro, Visconde de mesmo título, a partir de 1874.

 

A Viscondessa manteve um interessantíssimo diário por ela mesmo manuscrito – o que era relativamente raro, na época, mulher alfabetizada – que dá uma boa visão do dia a dia em Monte Alegre: as cozinheiras dos escravos levantavam-se antes mesmo do nascer do sol para acender o fogo sob caldeirões de ferro apoiados em imensos fogões de lenha. O feitor ou um dos capatazes então se encaminhava para o sino de bronze, a fim de despertar os negros acomodados na senzala. Havia sempre um sistema rígido a seguir: nos dormitórios mais espaçosos ficavam os casais e em quartos comuns drmiam os solteiros, tanto homens quanto mulheres.

 

Alertados pelo sino, levantavam-se imediatamente de suas tarimbas de tábuas e cada uma pegava sua ferramenta pendurada nos beirais da senzala: enxada, machado, foice e outras.

 

Da senzala rumavam para a cozinha própria do escravos, onde então recebiam a primeira ração do dia, constituída por um bom café bem encorpado, um bom pedaço de pão, pedaços de rapadura e um prato de angu. Enquanto isto, no interior da casa grande, os escravos “de porta adentro” encarregavam-se de arrumar a mesa dos senhores e tratavam de apagar as velas ou os pesados lampiões de azeite, ajeitando tudo e limpando para servir a primeira refeição da família.

 

O dia transcorria de maneira lerda, com as escravas cuidando do asseio dos quartos e salas, servindo café e chá para a família ou eventuais visitantes, enquanto os negros e os feitores, supervisionados pelas cavalgadas de inspeção de surpresa dos patrões, tratavam da lavoura e dos animais.

 

Já a noite, a família do fazendeiro recolhia-se bem cedo -  no caso de não aparecer visitante – sempre acompanhada atentamente pelas mucamas. Essas se incumbiam de levar água morna para lavar os pés cansados dos senhores que chegavam exaustos das lavouras, providenciando possível “banho de assento” para as senhoras e sinhazinhas.

 

As mesmas cabiam também distribuir pelos vários quartos os vaso sanitários para uso ds familiares, recolhendo-os na  manha seguinte para o despejo, tão logo todos se retirassem para o trabalho.

 

Depois de todas as providencias noturnas, as mucamas e demais escravos encarregados de proporcionar o conforto dos patrões (como fechar janelas e cerrar cortinas dos vários cômodos e salões, coloca chinelo aos pés da cama, deixar sobre as cômodas jarros com água ao lado de copos, etc.) pediam a benção aos senhores e senhoras, despejavam todas as luzes e buscavam um repouso em seus humildes dormitórios ou no cantinho escuro das senzalas.

 

Porém, apesar do fausto vivido por alguma (poucas) gerações do clã dos Werneck na Monte Alegre, a história prosseguiu implacável. Por força dos vários fatores econômicos, como principalmente o esgotamento da terra para o plantio de café um virtude de tratos culturais inadequados e da abolição da escravatura, os Werneck, empobrecidos, tiveram de deixar a fazenda em 1911. Vendeu-se a Viscondessa de Arcozelo, filha do Barão de Paty, já viúva do Visconde, a um membro de família aparentada, Joaquim Ribeiro de Avelar.

 

A Viscondessa teve de mudar-se para uma pequena fazenda, morando, segundo depoimento de seus próprios parentes, numa casa “meio de colono” onde veio  a falecer, com enterro de pobre, em carro de boi, seguido por cortejos de ex-escravos descalços e maltrapilhos. Consta até que o custeio do funeral foi feito pela família zeladora do cemitério, já que os filhos da falecida “ já estavam tão pobres que não tinham dinheiro”

 

Daí em diante a Monte Alegre foi fragmentada, tendo a casa passado por várias, como Sabino de Rebertis, Antonio Faustino Porto e até mesmo uma empresa que a transformou em hotel e cassino.

 

Finalmente, chegou às mãos de seus atuais proprietários, o engenheiro e escultor Gabriel Fonseca e família, que a compraram em ruínas e por preço irrisório. Levaram 6 anos para restaurá-la, com uma equipe de 3 artesãos, com enormes dificuldades para seguir os padrões originais, inclusive do paisagismo do artista francês Glaziou nos jardins.

 

Mais tarde, seguindo o projeto básico dos paisagistas José Tabacow e Cíntia Chamas, os atuais jardins foram sendo implantados. Atualmente os jardins e as construções coloniais totalmente restauradas abrigam o Parque de Esculturas Lúcia Miguel Pereira. Além das esculturas do proprietário, o escultor Gabriel Fonseca, o Parque também expõe trabalhos de Maria Martins, Agostinelli, Ângelo de Aquino e João Goldberg dentre outros renomados artistas.

 

Texto e Pesquisa: Milton Cabral

 

Fontes:

 

1 – Sebastião Deister – Serra do Tinguá, 300 anos de Conquistas – SécXVII ao Séc. XVII ao Séc.

 

2 – Antigas Fazendas de Café da Província Fluminense – 1980 – Nova Fronteira.

 

3 – Fazendas Solares da Região Cafeeira do Brasil Imperial 1986 – Nova Fronteira.

 

4 – Vassouras de Ontem – Compilação Greenhalgh Faria Braga.

 

5 – Notas para a História de Vila de Paty do Alferes – Frei Aurélio Stulzer – 1994.

 

6 – No tempo dos Barões – Maria Werneck de Castro – Ed. Bem-te-vi

 

7 – Barões e escravidão – Eduardo Silva – Nova Fronteira

 

Informações:

 

Endereço: Av. Beira Rio, 7 – Paty do Alferes – RJ – CEP: 26950-000

 

Email: fazenda-monte-alegre@ig.com.br

 

Parque de Esculturas da Fazenda Monte Alegre: www.gabrielsculptor.com

 

 

Fazenda Pao Grande

 

São das mais antigas as referencias e registros das terras onde está situada a fazenda Pão Grande. Ao contrário da maioria das fazendas de café, Pão Grande já existia muito antes do ciclo, dedicada principalmente a produção de açúcar. A ocupação, ainda no final dos anos seiscentos, teve origem na abertura da mais importante estrada do Brasil colonial, o lendário Caminho Novo de Minas Gerais, obra de Garcia Rodrigues Paes e Pedro de Moraes Raposo.

 

O Visconde de Asseca, Martim Correa de Sá, família dos maiores latifundiários do Rio de Janeiro durante dois séculos, foi seu mais antigo proprietário. Mas o arquivo referente a concessão de sesmarias revela a presença na fazenda, em 1748, dos Gomes Ribeiro, Francisco e Manoel. Essa mesma família seria dona de Pão Grande até o século XX.

 

A localização da fazenda a tornava passagem e pouso para viajantes.

 

Auguste Saint-Hilaire, o sábio naturalista Frances, e Tiradentes, precursor e mártir da independência do Brasil, lá estiveram. Os acontecimentos que culminaram com o enforcamento de Tiradentes por ordem da rainha de Portugal D. Maria I tiveram influencia no rumo da historia de Pão Grande, pois os envolvimentos de Antonio Avelar com o herói e as pressões que sofreu trouxeram-lhe grandes prejuízos financeiros, como meio de escapar da “devassa”, e ocasionaram sua morte em 1794. O clima hostil obrigou a família a se retirar para a fazenda, e em 1797 Luis Gomes Ribeiro, genro e herdeiro de Antonio, assume os negócios junto com a viúva, não sem antes adquirir as partes dos sócios. José Rodrigues Cruz se retira para fundar a vizinha fazenda Ubá, segundo depoimento de Saint-Hilare “habitada por índios selvagens”.

 

É Luiz Ribeiro quem manda construir a grande casa que hoje surpreende e encanta o turista por sua grandiosidade arquitetônica e beleza plástica.

 

Ribeiro permanece na fazenda até 1810, quando desavenças com sua sogra o levam a retirar-se para a fazenda Guaribu, onde iria residir até a morte, em 1839. Joaquim Ribeiro de Avelar, futuro Barão de Capivari, sucede o cunhado Luiz e torna-se senhor de Pão grande na fase áurea do café. Nem Capivari nem seus irmãos e irmãs se casariam, o que não impediu o barão de reconhecer um filho natural, dar-lhe o seu nome, educá-lo e fazê-lo herdeiro único e sucessor. Foi ele o segundo Joaquim Ribeiro de Avelar, que mais tarde receberia o titulo de Visconde de Ubá. Sua esposa, Mariana, filha do mordomo do Paço Imperial José Maria Velho da Silva, introduz então na fazenda todo o requinte e conforto na época exigidos nas casas ricas, sendo desta fase a instalação de banheiros dentro do solar, bem como a maior parte das alfaias. O casarão recheado de móveis, quadros, tapetes, louças e cortinas era famoso também por sua prataria.

 

Falecendo o Visconde de Ubá em 1888 e com as dificuldades decorrentes do final do ciclo, Pão Grande entra em franca decadência, que a viúva viscondessa não conseguiu evitar.

 

Depois dos Ribeiro de Avelar e com sua área reduzida a menos de 20 alqueires geométricos, a fazenda pertenceu ao colecionador de arte Plácido Gutierrez e em seguida a empresa Lily de Carvalho Marinho.

 

Na década de 1980, o empresário Walter Soares Ribas, adquirindo-a, empregou os recursos necessários e o melhor de seus esforços para, num grande trabalho de restauração, assessorado por equipe técnica, devolver a Pão Grande o seu antigo resplendor.

 

O telhadão e o espaço do velho engenho abrigam as baias para a criação de cavalos manga-larga marchador, principal atividade da fazenda, e um moderno estábulo para vacas leiteiras foi construído aproveitando parte de antigas tulhas. Pão Grande destaca-se pelos imponentes trabalhos de cantaria, sobretudo os de formato redondo com que são feitas as fundações das várias dependências externas.

 

Distando seis quilômetros do município de Avelar, no Estado do Rio, em estrada pavimentada, a fazenda Pão Grande, renovada e revivida, está entre as mais extraordinárias casas rurais do Brasil.

 

 Texto: Parte de Fernando Tasso Fragosso Pires extraído do livro “Fazendas: As Grandes Casas Rurais do Brasil”, editado por Salamandra Consultoria Editorial Ltda., 1995.

 

Informações:

 

Endereço: RJ 125 – Estrada Fazenda Pao Grande n° 780 – Paty do alferes RJ

 

Contato: Walter Ribas

 

Tel: (21) 2536-2309

 

Site: www.fazendapaogrande.com.br

 

Email: wribas@luxor.com.br

 

 

Fazenda Santa Cecília

 

A Fazenda Santa Cecília é uma fazenda anterior ao ciclo do café; foi construída em 1770 em estilo colonial sendo a segunda sede da Fazenda da Piedade. No apogeu do Ciclo do Café, por volta  de 1840, seu proprietário, o Barão de Paty de Alferes, herdeiro dos construtores, realizou uma reforma alternando seu estilo para o neo-clássico. Localizada no Distrito de Vera Cruz, município de Miguel Pereira, possui em seus jardins uma capela projetada pelo arquiteto Oscar Niemeyer com um painel dedicado a Santa Cecília desenhado por ele em seu interior. Local de beleza cênica única, possui 19 suítes para hospedagem na modalidade do Turismo de Habitação.

 

A Fazenda situa-se a 09 Km da sede do município de Miguel Pereira, sendo 06 Km percorridos em estrada de terra. No distrito de Vera Cruz  está localizada a Ponte Ferroviária Paulo de Frontin, a única ponte ferroviária em curva da América Latina e também possui várias cachoeiras, locais para caminhadas, trilhas, a queda d’agua do roncador; o prosseguimento da estrada da acesso ao Vale das Videiras e Vale das Princesas pelo Caminho do Imperador.

 

Dispomos de piscina, açude para pescaria, horta orgânica, parquinho infantil, rio e cachoeiras propícias para banho, passeios a cavalo, curral e nas instalações da Fazenda temos salão de jogos com bilhar e me de carteado, sala de leitura e restaurante com pratos da culinária mineira, doces e queijos produzidos na Fazenda e um tira gosto exclusivo: o Pastel de Angu.

 

Serviços oferecidos

 

Visitação, hospedagem e Day-use

 

Trabalhamos preferencialmente com grupos e apenas com agendamento prévio.

 

Informações:

 

Endereço: Estrada Tigipió 656 – Vera Cruz – Miguel Pereira

 

Contato e telefone para reservas:

 

Fazenda Santa Cecí lia@uol.com.br

Tel: (24) 2484-8283

 

Email: faz.santacecilia@uol.com.br

 

 

Fazenda São João da Barra

 

São João da Barra, antiga fazenda do ciclo do café, cerca de 1830, tendo sido recém-restaurada. Expõe gravuras e documentos originais do século XIX.

 

Informações:

 

Endereço: Estrada do Bonfim (Antiga estrada Morro Azul-Arcádia) – Miguel Pereira

 

Serviços: Agendamento sob consulta. Ao final da visitação será servido um lanche.

 

Contato: Rogério ou Tatiana

 

Tel: (21) 2239-4823

 

Email: tatianarybroek@globo.com

 

 

Fazenda Boa Esperança

 

Situada em Avelar, Município de Paty do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro, a Bôa Esperança era originalmente parte da sesmaria da Fazenda Pau Grande, da qual um dos donatários era Antonio Ribeiro de Avellar, casado com Antonia da Conceição Avellar e, por morte desta em 1821, coube por herança a sua filha Roza do Bonsucesso Mascarenhas Salter, casada com José Maria Salter de Mendonça.

 

Como a família seguia vivendo em Pau Grande nesta área estabeleceu-se uma estrutura para a cultura do café constando de terreiros, moinhos, senzalas, cozinha, enfermaria dos escravos onde é hoje a casa de vivenda com algumas adaptações e acréscimos.

 

Por volta de 1850, foi construída uma sede, quando a família Mascarenhas Salter veio viver na Bôa Esperança, e em torno de 1907, esta foi demolida por Dr. Antonio Ribeiro Velho de Avellar e com o material da demolição foram construídas as primeiras casas da Vila de Avelar.

 

Embora tivessem vários filhos, os Mascarenhas Salter não deixaram descendentes e a propriedade voltou para os Ribeiro de Avellar, filhos do Visconde de Ubá.

 

Como se pode notar a Bôa Esperança pertenceu à mesma família por 130 anos até que em 1952, por herança de D. Mariana Albuquerque de Avellar, cujos  4 filhos já haviam falecido e sem descendentes, passou para as mãos de Cid e Yvone Barros Franco e filhos, que na verdade foram a “família” de D. Mariana nos 15 anos da sua velhice.

 

Ainda continua a pertencer a família Barros Franco que, como sucessores da história dos Ribeiro de Avellar, preserva o belíssimo acervo em mobiliário, porcelanas, documentos e objetos pertencentes a essa família.

 

Atualmente a fazenda desenvolve criação de gado, plantação de eucalipto, produção de doces caseiros e vem incrementando o turismo histórico do Vale do Paraíba, abrindo suas portas à visitação, guiada e narrada pela família.

 

 Informações:

 

Estrada Arlindo José Lisboa, 300 – Avelar – Município de Paty do Alferes – RJ

 

CEP: 26980-970

 

Tel: (24) 2487-1123

 

Cel: (21) 9636-1603 / 8116-9161

 

Email: ledabf@yahoo.com.br

 

 

RIO DAS FLORES

 

Fazenda do Paraízo

 

Atualmente a Fazenda Paraízo está na mini-série “Um só coração”, da TV Globo.

 

A “jóia de Valença” como dizem os historiadores, pertencia na época do café a freguesia valenciana de Santa Thereza, famosa pela suas condições favoráveis ao cultivo da rubiácea, pelas importantes fazendas com seus magníficos solares rurais e pela maior concentração de fazendeiros nobilitados (barões, viscondes e condes) de toda a rica e grande região de serra acima da cidade dos marqueses.

 

O nome original dessa fazenda era Flores do Paraízo, provavelmente em homenagem ao Rio da Flores que corre em suas terras e pouco adiante deságua no Rio Preto, e também, por ser mesmo um paraíso.

 

O conjunto agrícola de grande porte -  do qual considerável parte ainda hoje se vê – foi construído por Domingos Custódio Guimarães, 1° barão e depois visconde do Rio Preto e era a sede de seu império cafeeiro.

 

Ao morrer deixou cerca de 15 grandes propriedades agrícolas na Províncias Fluminense e Mineira, além de casas, palacetes urbanos e inúmeros outros bens (vale a pena conhecer, em Valença, o palacete dele, hoje a Faculdade de Economia, e o mausoléu da família no cemitério do Riachuelo).

 

A residência da Fazenda do Paraíso, um solar de dois andares de inspiração neoclássica em forma de U, foi construído solto no meio do terreno. Tal construção é ricamente ornamentada por fora com obras de cantaria, ferro e madeira e por dentro com paisagens, pinturas “trompe l’oeil” e faux marbre” do pintor espanhol José Maria Villaronga, papeis de parede franceses, ricos trabalhos de marcenaria, em especial, nos pisos, além de outros em variados tipos de ladrilhos hidráulicos, etc. O interior, ricamente decorado com moveis, estatuetas, lustres e espelhos tem, para arrematar, uma capela interna que ocupa a altura dos dois andares e parte considerável de profundidade do casarão na sua ala esquerda.

 

Nesse conjunto agrícola e nesse ambiente requintado, ambos particularmente enfeitados e engalanados, no dia 7 de setembro de 1868, data em que o jovem Império do Brasil completava 46 anos de idade, foi comemorada a inauguração da ligação rodoviária de Manoel Duarte com a estrada União e Industria. A data foi propositadamente escolhida pois coincidia com o dia do aniversário do visconde do Rio Preto, que faria 66 anos, posto ter sido ele o grande incentivador da ligação mencionada e que facilitaria, em muito, o escoamento d café desta parte da região valenciana e das fazendas dele, naturalmente. Para tanto, foi montada uma monumental festa para comemorar três eventos. Aconteceu o imprevisto. Em meio a grande festa quando, sob aplausos, o visconde do Rio Preto adentrava a rica sala de entrada do solar, ele veio a falecer de fulminante ataque cardíaco nos braços da viscondessa e amparado por parentes e por personalidades como Mariano Procópio Ferreira Lage – engenheiro, construtor da estrada e figura de proa da festa, José Francisco de Mesquita -  o marques de Bonfim, ex-sócio e amigo particular do aniversariante, e na presença de um sem número de ilustres convidados de vários locais da Província Fluminense, em particular de Valença e da Corte.

 

Paraíso, ainda guardando muito do esplendor do passado quando, certamente, era a mais rica e suntuosa casa sede do café do Vale do Rio Preto e após passar por outros proprietários, foi vendida em 1912 ao cel. Alexandre Belfort Arantes descendentes de tradicionais troncos mineiros, em cuja família ainda se encontra sendo hoje administrada por um bisneto dele, Paulo Roberto Belfort Carneiro da Silva.

 

 Fontes e Texto: Roberto Guião de Souza Lima

 

Informações: Simone Botelho ou Paulo Roberto Belfort

 

Tel: (24) 2458-0093

 

Email: fazendadoparaizo@hotmail.com

 

 

 Fazenda União

 

A sede da Fazenda União é um exemplar de propriedade rural do ciclo cafeeiro. Na opulência do meio produtivo rural, as casa tinha um porte avantajado, dotadas de importância arquitetônica e muitos cômodos, de volume e imponência maior do que se imagina para uma residência apenas familiar. Podemos encontrar outras casas grandes do gênero ao longo do Vale do Paraíba, apontando claramente para uma certa tendência a excentricidade e por vezes até ao exibicionismo dos então, Barões do Café.

 

A história da Fazenda União inicia-se em 1802, quando José Amaral obteve por concessão a Sesmaria do Paraíso. Ficando durante onze anos sem condições para explorar as terras, resolve vendê-las para João Pereira Nunes em 1813, que também não produziu, não beneficiou nem plantou nada em seus campos.

 

Em 1814, o Capitão Bernardo Vieira e sua esposa Dona Escolástica Maria de Jesus, compraram estas terras sem produção alguma e inexploradas, o casal então deu o nome de Fazenda do Paraíso a propriedade recém adquirida.

 

Com o falecimento do Capitão Bernardo Vieira em 1838, as terras da Sesmaria foram divididas em sete partes, dando origem as Fazendas União, Esperança, Sapucaia, São Luis, São Policarpo, Divisa e Sossego.

 

Desta partilha de bens entre herdeiros, coube a José Vieira Machado e sua esposa Dona Lina Laudegária Vieira e Souza as terras em que atualmente se encontra a Fazenda União. Em 05 de setembro de 1853 a propriedade foi vendida para Antônio Pereira da Fonseca Júnior, que adquire também a Fazenda Esperança.

 

O novo proprietário recebe a escritura com o nome de Saudades do Rio.

 

Em 18 de setembro de 1859, a Fazenda retoma o seu antigo nome de União, através do Barão e, mais tarde, de Visconde do Rio Preto, sendo esse o seu mais próspero e ilustre proprietário. Por causa de sua localização privilegiada, situada ao longo do caminho para Minas Gerais, a fazenda tornou-se passagem e pouso obrigatório para viajantes, impondo-se como uma das mais concorridas, da então recém fundada, freguesia de Santa Teresa d Valença. Filho do Visconde do Rio Preto, o Barão Domingos Custódio Guimarães Filho, recebe em 1867 a Fazenda União como dote de csamento, tornando-se proprietário, juntamente com Dona Maria Balbina de Araújo, sua esposa posteriormente, em 1873, o médico Camilo Bernadino Fraga e sua esposa Dona Luiza Vieira da Cunha Fraga, tornaram-se seus proprietários. A abolição da Escravatura em 1888, acelerou o processo de decadência do ciclo e das fazendas de café.

 

Em 1901, a agora viúva Dona Luiza, enfrentando graves dificuldades financeiras, vê-se obrigada a hipotecar a fazenda a João Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor Melchiades Augusto de hipotecar a fazenda a João Alves Montes. Em meados do ano de 1918, o Senhor Melchiades Augusto de Mourão Matos, que havia sido padre e abandonou o celibato para desposar Dona Olga Morgante Ferreira, compra a propriedade. Vendendo-a quatro anos mais tarde, em 1922, para José Rodrigues de Almeida e sua esposa Dona Prudência. O casal resolve então mudar a atividade produtiva da fazenda para a criação do gado leiteiro, que em todo o Vale do Paraíba, tornaram-se a atividade econômica principal.

 

A Fazenda União permaneceu com os herdeiros de José Rodrigues de Alemeida até 1972, quando foi vendida para Vivente Crispin de Oliveira e Dona Filomena Faria de Oliveira. Adquirida por João Manoel dos Reis Filho em 1992, o prédio centenário foi revitalizado e orientado a atender aos requisitos do conforto moderno, foram recuperados o telhado, as paredes de pau a pique, os pisos e toda estrutura em madeira e até os seus porões. O entorno da imponente sede recebeu um elaborado cuidado paisagístico, onde se procurou preservar as arvorem centenárias e as preferências botânicas do requintado período colonial. O mobiliário foi então acrescido de preciosas peças de época, recuperadas e adquiridas em leilões, antiquários e incansáveis inserções pela região do vale. Em um trabalho feito ao longo dos anos, todo o seu interior recebeu tratamento arquitetônico e artístico compatível a época colonial.

 

Mais tarde, João Manoel casa-se com Dona Rosalina Monteiro dos Reis e, no sentido de preservar e divulgar o estilo de vida e os costumes do nosso período colonial, sobretudo durante o ciclo do café no Vale do Rio Paraíba, o casal vem preservando as tradições, e para oferecer a hospitalidade e o provincianismo daquela época, transformaram a Fazenda União em espaço de cultura e lazer.

 

Fontes e Texto: Ana Helena Ribeiro Telles Santos

 

Informações: João Reis

 

Tel: (24) 2453-2940 ou 9845-7351

 

Email: fazendauniao@yahoo.com.br

 

 

VALENÇA

 

Fazenda da Bocaina

 

A história da Fazenda Bocaina, reflete um dos processos de ocupação do território no Vale do Paraíba do século XIX. Não aquele dos grandes proprietários que, ao prosperarem, trocavam favores com o Império e adquiriam títulos nobiliárquicos, aumentando suas terras, deixando legados aristocráticos e grandes dívidas com os bancos. Ao contrário, revela a mobilidade das famílias rurais em sua conquista pela sobrevivência, modelando assim a experiência histórica de um grande contingente da população regional, comprometido com a pequena propriedade, a lavoura e a vida nas cidades da província fluminense.

 

A Fazenda da Bocaina está situada no Município de Valença – RJ, localizando-se a 130 Km do Rio de Janeiro e a 350 Km de São Paulo, fazendo parte do circuito do Ciclo do Café e do pool das fazendas históricas do Instituto Preservale.

 

A propriedade fez parte da sesmaria concedida pelo Príncipe Regente D. João VI à D. Bárbara Joaquina em 1816 no  “Sertão de Valença”.

 

Sua sede tem, aproximadamente, 160 a 180 anos, tendo sido erguida mesmo antes do apogeu do Ciclo do Café.

 

As áreas requeridas na época eram muito cobiçadas nesta ocasião pela proximidade com o rio Paraíba do Sul (até então principal meio de penetração no Sertão de Valença) e com Aldeia de Valença que foi  fundada em 1803.

 

Sua principal produção na época era de cereais e víveres que abasteciam o Rio de Janeiro e a própria Aldeia de Valença.

 

Este tipo de propriedade é bem antiga, com características tipicamente mineiras e que se costumava intitular de “cabeça de sesmaria”, porque as casas eram bem simples e abrigavam os primeiros portugueses que aqui aportavam (os que vinham realmente desbravar e trabalhar).

 

A partir dessa sesmaria e com a expansão do cultivo do café, ela foi dividida e vendida a outros proprietários que construíram casas maiores e mais suntuosas como a Fazenda da Cachoeira (antiga Fazenda da Floresta) que ficava a noroeste da sesmaria e da Fazenda Boa Vista, que se situava na testada da sesmaria, onde hoje se ergueu o bairro São Francisco. Desta Fazenda não sobrou nenhum vestígio, a não ser um enorme tronco centenário no coração do bairro.

 

A Fazenda da Bocaina possui aproximadamente seis proprietários, incluindo o atual, que a adquiriu em 1981.

 

BOCAINA, etimologicamente é um vale na montanha, local onde a propriedade foi construída.

 

A atual proprietária e sua família reconstituíram ao longo dos anos, minuciosamente, as características originais da sede e seus arredores, que estavam muito abandonados, realizando outras construções de igual arquitetura.

 

Foi residência de veraneio por todo esse tempo e hoje está aberta para visitação histórica de grupos previamente agendados com café colonial ou almoço antecipadamente marcado.

 

A propriedade é produtiva e seleciona Nelore de elite.

 

Pesquisa: Adriano Novaes

 

Texto: Solange Goes

 

Fontes: Fazenda da Bocaina

 

Informações:

 

Solange Azevedo de Araujo Goes

 

Tel: (24) 2453-3266 / 2453-8100 / Cel: (24) 8823-4266 / 9965-1048

 

Email: fazendabocaina@hotmail.com

 

 

Fazenda Florença

 

Com a chegada do Café no Vale no Paraíba em princípios do século XX, famílias inteiras migraram para a região, a fim de se dedicarem aos negócios da lavoura. Entre tantas, destaca-se a irmandade dos Teixeira Leite, uma das mais proeminentes. Precursores de uma série de idéias inovadoras como, por exemplo, a Estrada de Fero D. Pedro II e o primeiro Banco Agrícola no interior da Província, espalharam-se pelas comarcas de Vassouras, Valença, Barra Mansa e Além Paraíba.

 

Mineradores na região de São João Del Rei, o primeiro a chegar foi Custódio Ferreira Leite Guimarães, futuro Barão de Ayuruoca.

 

Ayuruoca tornou-se quase uma lenda na região, a ele é atribuída a propagação do café no Vale, assim como a abertura de estradas e pontes para escoamento do precioso grão.

 

Sabendo da distribuição de terras pela Coroa Portuguesa na região, trouxe consigo, inúmeros parentes. Tão cedo, tornaram-se os irmãos, sobrinhos e primos, fazendeiros de café.

 

Entre eles, o irmão Anastácio Leite Ribeiro (1787 – 1853), que adquire duas sesmarias que confrontavam com sesmaria dos Índios Araris, no “Conservatório de Santo Antônio do Rio Bonito”.

 

Anastácio fundou a fazenda São José do Rio Bonito, cuja sede muito bem localizada, ainda jaz em vales conservatorienses.

 

De seu casamento com Maria Esméria D’ Assunção nasceram os filhos: Anna Maria Esméria, que foi a primeira mulher do Futuro Barão de Vassouras, fundaram fazenda Cachoeira Grande em Vassouras; João Ferreira Leite; Joaquim Leite Ribeiro, foi Juiz de Paz em Conservatória; Francisco Leite Ribeiro, depois da morte dos pais ficou com a fazenda São José e Boa Vista; Marianna Cândida casou com o primo Francisco Leite Pinto, foram fazendeiros em Mar da Espanha; Custódio Ferreira Leite; Maria Francisca Leite; Anastácio e finalmente José Leite Ribeiro, que após a morte dos pais, fundou a fazenda Florença.

 

Um belo exemplar da arquitetura neoclássica dos oitocentos o Solar Florença é marcado pelo alpendre com frontão neoclássico, raros nos solares do Vale Cafeeiro.

 

José Ferreira Leite viveu até 1861, ficando a fazenda com seus herdeiros até o final do século XIX.

 

Em princípios do século XX foi adquirida pela família de Lupércio de Castro, cuja família foi proprietária durante anos.

 

Texto e Pesquisa: Adriano Novaes

 

Fontes:  

 

Locais Pesquisados:

 

Museu da Justiça – Tribunal da Justiça do Estado do Rio de Janeiro

 

Inventário de D. Maria Esméria d’Assunção – 1842 / caixa 115 – proc. N° 1117

 

Informações: Paulo Roberto dos Santos

 

Tel: (24) 2438-0124

 

Site: www.hotelfazendaflorenca.com.br

 

 

Fazenda Santo Antônio do Paiol

 

A Fazenda Santo Antônio foi aberta em terras da sesmarias concedida em 1814, por provisão a João Soares Pinho, que já havia estabelecido nesta fazenda desde 1807, quando estas ainda eram consideradas “terras devolutas”. Alguns anos depois, foram adquiridas por Francisco Martins Pimentel, que já estaria estabelecido na vizinha sesmaria de Santa Teresa.

 

Em 1850, casava-se, no oratório de Santa Teresa, com Francisca, a filha de Pimentel, Manoel Antônio Esteves, recebendo como dote a fazenda Santo Antônio do Paiol. Seria a segunda e a mais próspera fase daquele estabelecimento cafeeiro. Logo após o casamento, morre o sogro e Esteves, com a fortuna aumentada, manda construir nova sede, em frente à pioneira Santa Teresa. Terminada em 1852, a casa foi dotada com todo os requisitos exigidos de uma fazenda de café d ciclo.

 

Desenvolvendo profícua atividade, /Esteves ampliou os cafezais, adquirindo ou abrindo novas fazendas, tais como São Manuel, Ribeirão, Santa Catarina, São Francisco, Nazaré e Boa Vista. Nelas chegou a ter mais de seiscentos escravos. Eliminando intermediários, ele mesmo negociava a produção, operando no rio de Janeiro e em Santos com a firma exportadora Esteves & Filhos, e já era grande fazendeiro, tornar-se-ia grande comissário de café. Como uma das mais proeminentes figuras do vale, Esteves se empenhou nas gestões que viabilizaram a construção da Estrada de Ferro União Valenciana, com evidentes benefícios para a economia local. Da estrada de ferro seria o primeiro presidente, e por seu trabalho receberia do governo imperial a comenda da Ordem da Rosa.

 

Manoel Antônio Esteves morreu em sua casa no Rio de Janeiro em 1879, no auge de seu prestígio e da fortuna que legou aos filhos. Sucede-lhe na administração dos negócios o filho Francisco Martins Esteves, pessoa de cultura e saber, de hábitos refinados, amante da música clássica e da ópera. Residiu em Paris por algum tempo, aos se casar com Ana Carolina, filha do conselheiro e ministro do Império, Zacarias de Góes e Vasconcelos. Retornando ao Brasil, trabalhou na comissária e na fazenda Santo Antônio, sem demonstrar gosto ou inclinação para o mundo dos negócios. Administrando a fazenda como lhe era possível e já enfrentando os contratempos que sucederam a derrocada do ciclo, Franciso adquire partes dos demais herdeiros e fixa-se definitivamente em Paiol, que passou a gerir juntamente com o filho, Marcos Zacarias Manoel Esteves, depois seu sucessor na fazenda em franca decadência.

 

Em meio às maiores dificuldades, os Esteves se desfazem de parte das terras, com a finalidade de assegura a manutenção das benfeitorias. Marcos morreria precocemente em 1941, e sua viúva desde então desenvolveu esforço que deve ser enaltecido. Com a fazenda praticamente desativada, sem renda e com o patrimônio em terras sensivelmente reduzido, Francisca Olympia Alves de Queiroz Esteves lutou determinadamente para preservar como pôde todo o acervo móvel e imóvel de Santo Antônio. Assumindo uma ligação afetiva com a memória da fazenda, do marido e da saga dos Esteves, empenhou-se com denodo para manter vivo tudo que dissesse respeito a Marcos e aos Esteves.

 

Assim chega até o ano de 1969, quando, idosa, não mais podendo prosseguir em seu propósito, e nem mesmo se manter na fazenda, toma a deliberação de doá-la a uma entidade religiosa, a Congregação da Pequena Obra da Divina Providência (Don Orione), como último recurso para manter a propriedade e os pertences dos Esteves. No ano de 1990, a Fazenda Santo Antônio do Paiol foi arrendada por Rogério Vianna, empresário carioca que, juntamente com sua esposa Maria Alice, empreendeu uma grande reforma na sede, já então desgastada pelo tempo. Nesta empreitada, foram recuperados a sede, o mobiliário e, especialmente, foi organizado o acervo documental da Fazenda, magnífico legado preservado pela família Esteves que, não obstante, havia permanecido inacessível aos olhos de pesquisadores e interessados. Sócio Fundador do Instituto PRESERVALE, Rogério restituiu à Fazenda Santo Antônio do Paiol a sua dignidade e importância histórica, bem como resgatou, em meio aos documentos encontrados em Esteves, informações de enorme valor histórico, que estão sendo hoje pesquisados e catalogados a partir de projeto do Instituto PRESERVALE.

 

A Fazenda voltou às mãos da Ordem Dom Orione no ano de 2000, e está retomando, com o PRESERVALE, a atividades de Turismo Cultural iniciadas por Rogério e Maria Alice Vianna.

 

Fonte: Fazenda Santo Antônio do Paiol

 

Revisão: Sonia Maria Mattos Lucas

 

Informações: Frei Geraldo Magela

 

Tel: (24) 2458-4720

 

Email: fazenda.santo_antonio_paiol@yahoo.com.br

 

                                                      

Fazenda Vista Alegre

 

Francisco Martins Pimentel, açoreano da Ilha São Miguel, já antes de 1829 estava estabelecido em Valença, nas terras que viriam a integrar a Fazenda Vista Alegre. No final dos anos 40, adquiriu a Fazenda santa Terezinha (cuja sede original desapareceu) e lá faleceu em 1852. Esta é provavelmente, a data em que um de seus dez filhos, Joaquim Gomes Pimentel, passou a ocupar a Sede de Vista Alegre, imprimindo sua marca na história da Fazenda, e de toda a região, através de notáveis atuações pioneiras no campo das artes da cultura e do desenvolvimento sócio-econômico.

 

Alcançando em 24 de outubro a posição de Alferes, Joaquim Pimentel recebe, em 28 de Fevereiro de 1864, de D. Luís “El Rey” de Portugal, o título de Visconde de Pimentel. No ano seguinte, registra o primeiro mapa de sua propriedade, bem como de seus vizinhos e parentes, abrangendo uma área que ocuparia de São Francisco a Esteves, aprofundando-se pela Serra da Concórdia (antiga Serra de São Manuel) até o lugar aonde existe hoje a Fazenda da Conquista.

 

Em 16 de junho de 1869, torna-se Capitão da Guarda Nacional, já então consagrado pelo dinamismo e pela inovação de métodos e técnicas de produção rural e na vida social da Fazenda Vista Alegre. Célebre  em sua época pelo convívio com as artes, o Visconde de Pimentel frequentemente promovia saraus na Fazenda, para onde trazia apresentações memoráveis de artistas e músicos famosos, como por exemplo o pianista Gotshalk, em 21 de agosto de 1869.

 

O Visconde criou também sua própria banda de música, constituída por 27 escravos libertos. A Banda de Música da Fazenda Vista Alegre costumava apresentar-se em todas as ocasiões festivas da região. Aprendia-se na Fazenda, além de música, as artes teatrais e a religião. A escola de Ingênuos, como ficou conhecida, foi a primeira no país a alfabetizar filhos de escravos e crianças pobres das redondezas. A Casa da Música, local onde funcionava a escola, existe ainda, próximo à sede.

 

As inovações implantadas na Fazenda Vista Alegre motivaram uma histórica visita do Conde D’Eu a Valença, de 16 a 18 de setembro de 1876, na qual o Conde teve a oportunidade de  participar de animados saraus, visitas às instalações das propriedades de Pimentel, cavalgadas e passeios no lago que existia aonde é hoje o Parque de Exposições de Valença, em cuja nascente mineral refrescou-se.

 

Embora tenha atingido fama e grande prestígio em vida, o Visconde de Pimentel Faleceu sem ter deixado herdeiros e já com seus bens inteiramente hipotecados à sua irmã, Maria Francisca, viúva do Comendador Manoel Esteves, dono de casa comissária de café. Esta, por sua vez, após retirar todos os bens – móveis, documentos, quadros e objetos – veio a entregar a Vista Alegre em pagamentos de suas próprias dívidas ao Banco do Brasil, por ocasião da derrocada da economia cafeeira na Velha Província, a partir da Abolição. A Fazenda Vista Alegre é adquirida em leilão pela família do Barão de Oliveira Castro em 1901, juntamente com as vizinhas Chacrinha e Campo Alegre.

 

Em 1912 chegam à Vista Alegre, trazidos pela mão da família Oliveira Castro, os  primeiros imigrantes dinamarqueses do Vale, que vieram a fundar, na Fazenda, a primeira indústria de queijos de tecnologia europeia do estado, os famosos Laticínios Dana. A família Nielssen residiu na Vista Alegre por cerca de trinta anos, tendo desenvolvido a aprimorado queijos de qualidades variadas, até transferirem-se para o sul de Minas, aonde vieram a multiplicar indústrias e marcar de laticínios diversos.

 

A Fazenda Vista Alegre pertence, desde 1980, a Delio e Clair de Mattos Santos, que a adquiriram de Eduardo Soares Sampaio, herdeiro indireto do Barão de Oliveira Castro. O Dr. Delio Mattos é advogado e empresário, Cônsul Honorário da República de Malta, Fundador e Conselheiro do Instituto Preservale. Sua esposa Clair de Mattos Santos é escritora e editora, tendo escrito,  dentre outras obras de ficção, romance e teatro, o livro “Grãos Vermelhos do Vale”, que narra a saga do café ambientada na Fazenda Vista Alegre.

 

Após haver desenvolvido também a produção de laticínios, hoje desativada, a Fazenda Vista Alegre dedica-se hoje à criação de gado Canchim, e às atividades de Turismo Cultural. Participando do programa de Visitação Orientada do Instituto PRESERVALE, destinado a promover o conhecimento e a pesquisa dos Patrimônios Históricos e Culturais do Vale do Paraíba, a Vista Alegre mantém a tradição de um importante legado histórico, oferecendo a todos os que a visitam um pedaço da memória nacional.

 

Texto e Pesquisa: Sonia Maria Mattos Lucas

 

Informações:

 

Tel: (24)2453-5116

 

Cel: (24) 9831-9627 / (21) 8118-0007

 

Email:

 

VASSOURAS

 

Fazenda Cachoeira Grande

 

De todas as famílias que povoaram o Vale do Paraíba durante o efêmero ciclo do café, nenhuma teve tanta projeção social quanto os Teixeira Leite. Entre estes, destaca-se a  figura ímpar de Custódio Ferreira Leite – O Barão Aiuruoca, cuja ação projetou-se em várias regiões cafeeiras  do Vale. Além de ter  proporcionado obras assistenciais como abertura de estradas, construção de pontes, igrejas e hospitais, a este é atribuído a programação do café no Vale do Paraíba. Oriundo de São João D’EL Rei, filho de abastados senhores de minas de ouro, o Barão de Aiuruoca imigrou para o Vale do Paraíba em princípios do século XIX, trazendo consigo inúmeros parentes. Entre estes, o sobrinho Francisco José Teixeira Leite, filho de sua irmã Dona Bernardina – a Baronesa de Itambé.

 

Francisco José, com apenas 16 anos de idade, havia sido contratado para a construção da Estrada da Polícia em 1820, na qual a cidade de Vassouras foi fundada. Em 1830, casa-se com a prima, Dona Maria Esméria Teixeira Leite, recebendo como dote, parte das terras que viriam a integrar a Fazenda da Cachoeira. Desde então, dá início às atividades de abertura da fazenda, onde planta as primeiras mudas da rubiácea em substituição às extensas florestas que outrora revestiam seus morros. Com as madeiras extraídas desta derrubada, constrói a casa da morada, senzalas, engenhos, entre outros… Paralelamente, dedica-se à negociação de capitais e às causas sociais na vizinha Vassouras. Sendo um de seus fundadores, adquire-se ao desenvolvimento social e econômico da cidade. Tal dedicação colabora para que a cidade torne-se o mais importante centro cafeeiro durante o segundo Império. Neste período, Cachoeira é mais usada como residência que empreendimento agrícola.

 

Em 1871, Francisco José chega ao ápice de sua projeção social e é agraciado pelo Imperador D. Pedro II, com o título de Barão de Vassouras. Treze anos depois, falece aos 80 anos de idade, deixando uma fortuna aos 11 filhos que teve do primeiro e segundo matrimônios, este último com Dona Alexandrina Teixeira Leite. Mesmo com a plena decadência da produção cafeeira, Cachoeira ainda vive dias de pompa que desfruta desde a fase mais rica do ciclo. Em 1884, meses após o falecimento do fundador de Cachoeira, os herdeiros deste ofereceram um jantar requintado ao casal Princesa Isabel e Conde D’EL, além de outros ilustres convidados como os barões de Santa Mônica e Visconde de Ibituruna. Este talvez tenha sido o último festim de uma era de riquezas.

 

No século XX, Cachoeira já não pertencia à nobre família Teixeira Leite. Na década de 40 é adquirida por Mário Mondovo, italiano de origem judaica que emigrou para o Brasil afim de exilar-se da perseguição nazista que assolava a Europa durante a 2ª Grande Guerra. Cachoeira prosperou e dedicou-se a diversas atividades agrícolas mas, somente com a pecuária leiteira é que fazenda se firmaria. Neste final de século, mais precisamente em 1987, Mondovo vende a Fazenda da Cachoeira ao empresário Francesco Vergara Caffarelli. Com o novo proprietário, a Casa da Cachoeira, após longos anos de abandono e quase em ruínas, passa por um processo de restauração.

 

Caffarelli, italiano oriundo de Roma, foi grande amante das artes. Ajudado por sua esposa, Núbia Vieira Monteiro Caffarelli, dedicou-se com afinco aos trabalhos de restauração do casarão, que consumiram quatro anos e teve projeto pelo arquiteto Eloy de Mello.

 

Com sua área original bastante reduzida, Cachoeira dedica-se hoje às atividades pecuárias e às do turismo cultural. Núbia e sua Madalena participam do Instituto PRESERVALE, contribuindo assim, para uma consciência preservacionista.

 

Pesquisa:

 

Adriano Novaes

 

Revisão:

 

Sonia Mattos Lucas

 

Informações:

 

Estrada Fazenda da Cachoeira, 1639 – Vassouras – RJ

 

Caixa Postal: 85.611 – CEP: 27700-970

 

Tel: (24) 2471-1264 / (24) 2491-1983

 

Cel: (24) 8123-1866 / 7836-3486 / 7836-3485 – ID: 12*10586 / 12*10585

 

Site: www.fazendadacachoeiragrande.com.br

 

Email: nvergara@cetroin.com.br / nubia@fazendadacachoeiragrande.com.br

 

 

Fazenda Cachoeira do Mato Dentro

 

Situada no Município de Vassouras, está localizada na BR 393, à 15 Km do centro da cidade. Pertenceu a José de Almeida Avelar, Barão do Ribeirão, estando desde 1896 com a Família Rangel. Em estilo neoclássico, mantém características originais do século XIX, fazendo parte do Ciclo do Café, que tanto enriqueceu a nossa época, sob a administração de seu proprietário Luiz Felippe Rangel. Destaca-se entre outras atrações um banheiro de pedra pertencente aos escravos, além do terreiros de café, senzalas e o contato direto com a vida no campo  com passeios a cavalo, carro de boi e animais domésticos de grande e pequeno porte.

 

Residência da família, hoje abre suas portas para visitas de turistas, escolas e historiadores, podendo ser oferecido café ou almoço tipicamente rural, além de queijos tipo frescal, lingüiça e doces produzidos no local para consumo e venda. Na segunda quinzena do mês de maio realiza-se tradicionalmente um Concerto de Outono

 

Cel: (24) 9992-7350 / 9914-2286 / 9845-1229

 

Email: dr.feliperangel@uol.com.br

 

 

Fazenda Mulungú Vermelho

 

Sua origem remonta ao princípio do século XIX, quando suas terras foram doadas através do sistema de sesmaria ao concessionário capitão Antônio Luiz dos Santos, e a sua mulher D. Luiza Maria Angélica, a terceira filha do lendário Capitão Ignácio de Souza Werneck, patriarca do clã mais importante do período cafeeiro no Vale do Paraíba.

 

Esta união deu origem ao ramo Santos Werneck, que vão estender seus domínios na região de Massambará, no município de Vassouras e no distrito de Bemposta, município de Três Rios.

 

D. Luiza faleceu em 1813 e o Capitão Antonio Luiz dos Santos em 1825, aos 53 anos de idade, de uma “inflamação do peito”. Esta é a data provável em que um de seus sete filhos, Francisco Luiz, recebeu de herança as terras que deu origem à fazenda São Francisco, hoje denominada Mulungú Vermelho.

 

Um fato curioso sobre está família é que as fazendas fundadas pelos filhos do capitão Antônio Luiz, pelo menos as de Massambará, tiveram nomes de santos homônimos aos seus fundadores, como por exemplo a fazenda São Fernando, fundada por Fernando Luiz dos Santos Werneck, a de Santo Antônio, por Antônio Luiz dos Santos Werneck (este migrou para Bemposta fundando lá diversas fazendas), São Luiz, por Luiz Barbosa dos Santos Werneck e São Francisco, por Francisco Luiz dos Santos Werneck, que curiosamente usava a grafia “Verneck”.

 

Pelo que consta, o solar de São Francisco foi construído em 1831, na primeira fase do café no Vale do Paraíba e, com pouco tempo de lavoura, tornou-se uma das mais prósperas de Vassouras. Tudo isso facilitado pela abertura da importante e pioneira estrada do Comércio em 1816, que cortou as fazendas dos irmãos Santos Werneck, de ponta a ponta, trazendo-lhes grandes vantagens no transporte de café para portos da baixada e posteriormente aos do Rio de Janeiro e finalmente Europa. Por esta mesma estrada, virão os primeiros requintes da Corte do Rio de Janeiro, transformando as sedes das fazendas cafeeiras em verdadeiros palácios rurais, que nada deviam às residências mais luxuosas da Capital do recém criado império brasileiro.

 

Influenciado pela arquitetura mineira do século XVIII, o solar de São Francisco vai receber uma “maquiagem” neoclássica, estilo este introduzido no Brasil em 1816, pela Missão Artística Francesa, que virá influenciar toda a arquitetura valeparaíbana na fase mais rica do café. A presença do neoclássico no solar pode ser notada nas marcações dos cunhais, nos capitéis, cimalhas, sobrevergas e caixilhos trabalhados.

 

Em meados do século XIX, quando a produção de café no Vale do Paraíba atinge seu apogeu, São Francisco é uma das mais ricas do vale do ribeirão Florência, além do café, cereais que, em alguns casos, abasteciam fazendas vizinhas. Trabalhavam em seus cafezais cerca de 110 escravos, em um número aproximado de 280 mil pés de café, como podemos observar em inventários da fazenda.

 

O tempo passou e os fazendeiros, despreparados quanto ao uso da terra, acabaram por esgotá-la e começava dar sinais de decadência. Sua viúva, D. Maria Francisca Adelaide, casada com o primo Luiz dos Santos Werneck, herdeiro de São Fernando, e Zeferina Adelaide das Chagas Werneck, casada com o primo, o capitão João Barbosa dos Santos Werneck, herdeiro da fazenda de “Cima” (São Luiz).

 

Capitão João e Zeferina adquirem as partes dos outros herdeiros,  ficando únicos proprietários da São Francisco e mais as de “Cima” e “das Cruzes”, sendo esta última onde casaram em 1858.

 

Pouco tempo depois falece João, e a fazenda é herdada por seu filho Joaquim Barbosa dos Santos Werneck, que se torna o único proprietário da fazenda, tendo comprado a parte do seu irmão João e a parte de sua mãe, que havia ficado com a fazenda “cima”.

 

Por volta de 1903, Joaquim se desfaz da fazenda, então com seus 117 alqueires geométricos constando do Sítio “Velho” e fazenda “Pão Ferro”, antiga Cruzes, vendendo-a aos recém-casados Fortunato Delgado Motta e Gabriela Messias Delgado Motta.

 

Vindos do município de Lima Duarte, MG, este casal iniciou um novo ciclo na história de São Francisco: a do gado de leite, sem, no entanto, abandonar a tradicional cultura do café cultivado na fazenda até meados da década de 1940. Algum tempo depois adquirem as fazendas vizinhas de “Cima” (São Luiz), Cachoeira Bonita e “ Dr. Reis (São José).

 

Fortunato era um homem simples e muito respeitado por seus 11 filhos, tidos com sua amada esposa D. Gabriela Messias, filha de João Evangelista de Almeida Ramos e Mariana Evangelista Duque, barões de Santa Bárbara do Monte Verde.

 

Em 1947, falece Fortunato e São Francisco é dividida entre seus herdeiros, a saber: Maria (Nicota),  Militão, Judithe, Mariana (Neném, falecida ainda jovem), Maria José, Jayme (Zezé), Geraldo, Francisco, Thereza, Ana (Anita) e Fortunato. Suas terras são fracionadas e o solar, com uma área de terras reduzida, é vendido a Carmem Lahmeyer Duval e seu marido Carlos Afonso Ferraz Duval e Selma Ferreira da Silva.

 

O tempo em que o casal Duval fica na fazenda, é o suficiente para promover a recuperação do solar, que se encontrava em adiantado estado de deterioração.

 

Esse histórico patrimônio foi adquirido em 1988, por Simone Marques Coimbra Pio da Fonseca, já com o nome de Mulungú Vermelho.

 

Localizada no município de Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, Simone dedicou-se com afinco às obras de recuperação da fazenda.

 

 Texto e Pesquisa:

 

Adriano Novaes

 

Professor, Ginealogista e Pesquisador da História do Ciclo do Café, Sócio do Colégio Brasileiro de Genealogia

 

Informações:

 

Estrada de Aliança, 4446 – Massambará – Vassouras

 

Cel: (24) 9829-3628

 

 

Fazenda São Fernando

 

Localizada em Massanbará, Distrito de Vassouras, a Fazenda São Fernando foi  no século passado uma das unidades produtoras de café do Vale do rio Paraíba Fluminense. Fundada no início do século XIX, rapidamente se inseriu na monocultura cafeeira, tornando-se uma das importantes propriedades da região. Sua origem territorial remonta ao século XVIII, quando as doações de terra se intensificaram ao longo do “Caminho Novo”  de Minas Gerais, especificamente às sesmarias da Várzea e Vila Latina.

Fernando Luiz dos Santos Werneck, seu fundador, pertenceu a um dos mais poderosos e brasonados clãs da região. Ao longo de sua trajetória, no século XIX, enquanto unidade de produção escravista, a Fazenda São Fernando acompanhou, passo a passo, o movimento de expansão, o apogeu e a decadência da cafeicultura no Vale do Paraíba Fluminense, podendo ser considerada como um dos notáveis exemplos desse processo.

Na virada do século, esgotado o ciclo que a produziu, a Fazenda São Fernando hibernou, preparando-se para a nova etapa que o século XX lhe reservava.

Com 122 alqueires e 2000m² de área construída, a sede monumental, construída em três diferentes monumentos aos longo do século, foi restaurada com rigor e excelência, baseada na pesquisa arqueológica desenvolvida na propriedade. Uma pequena coleção de objetos – encontrada durante as escavações do sítio arqueológico e recuperada – está exposta no antigo cárcere, revelando aspectos do cotidiano de senhores e característicos do estilo da época, de grande apuro e beleza.

 

A Pesquisa Arqueológica

 

Com o objetivo de recuperar evidências materiais das atividades cotidiana na Fazenda São Fernando, ao longo do século XIX, foram realizadas escavações arqueológicas em diversos pontos da propriedade. A pesquisa voltou-se primordialmente para as possíveis áreas de despejo de lixo, considerando-se o elevado potencial informativo desse tipo de material, capaz de refletir com grande fidelidade os padrões de comportamento adotados por um determinado grupo.

O interesse dessa amostra é de natureza fundamentalmente comparativa e, enquanto produzida por um segmento social, apresenta um perfil que deverá ser sobreposto ao de contextos semelhantes em outros sítios arqueológicos históricos, de tal forma que permita a constatação de regularidade assim como a configuração de padrões comportamentais próprios às categorias examinadas.

 

Atividades Atuais

 

Hoje, a Fazenda São Fernando desenvolve as atividades de criação e seleção de gado Girolando F1 leiteiro e venda da produção leiteira in natura, agricultura orgânica e reflorestamento, plantando anualmente 6000 mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, visando recuperar a fauna e flora e protegendo as nascentes da propriedade. A Fazenda tem sido um laboratório de experiências nas áreas citadas, uma porta aberta para pesquisas, epicentro irradiador de ações sociais e culturais e pioneiras na locação de telenovelas sempre visando a maior valorização da região.

A Fazenda é hoje sede do Instituto São Fernando, que atua como catalisador de políticas públicas nas áreas de educação – Programa Educar Mais de formação continuada para a rede pública de educação de Vassouras, meio ambiente e eco-agricultura – Orgânicos do Vale com distribuição da produção em cestas – cultura – apóia o Programa de Integração pela música – PIM desde sua criação, hoje consagrado como Ponto de Cultura pelo Programa Cultura Viva do Ministério da Cultura, e, patrimônio histórico na região do Vale do Paraíba Fluminense. Desenvolve ainda programa de Turismo Cultural, participando, desde 2003, da promoção do Festival do Vale do Café, realizado anualmente no mês de julho, e é precursor das atividades do Instituto Preservale, do qual o proprietário da fazenda é Sócio Fundador e Conselheiro.

O Instituto São Fernando articula parcerias público-privadas, para contribuir na formulação e implementação de políticas públicas que visem não apenas a melhoria de condições materiais, mas também a ampliação do horizonte de desejos e da disposição para agir da comunidade, contribuindo para que as pessoas tenham maior autonomia da condução de suas vidas.

A Fazenda de propriedade de Ronaldo Cezar Coelho, desde dezembro de 1983, está aberta a visitação publica. A visita guiada à Fazenda compreende um excelente tour pela sede, ruínas da antiga senzala, quadrilátero do café, e um cafezinho na cozinha.

A Fazenda reúne ainda um acervo de obras de arte representativas das escolas modernas e contemporâneas.

 

Informações:

 

Oferece visitação guiada, sob agendamento prévio

 

BR 393, Rodovia Lucio Meira, Km 218, Massambará – Vassouras – RJ

 

Site: www.institutosaofernando.org.br

Email: fazsaofernando@terra.com.br / Deborah@institutosaofernando.org.br

Fazenda São Luiz da Boa Sorte

 

A Fazenda São Luiz da Boa Sorte, nossa preciosidade encravada na Imperial Cidade de Vassouras, na BR 393, Rodovia Lucio Meira, no Vale do Café Fluminense, é fruto da união de duas importantes fazendas do Ciclo Áureo do Café, a São Luiz e a Boa Sorte. Única das grandes fazendas do café com esta localização privilegiada, é um primor do século XIX em plena forma, depois de restauração meticulosa, tocada em diferentes fases pelos arquitetos João Reis e Gilmar Peres, com o Patrocínio, também em fases diferentes, da CEG Gás Natural e da Light.

Coladas uma a outra, assim nasceram as fazendas dos irmãos Gomes Ribeiro de Avelar. Fazenda São Luiz, de Paulo Gomes Ribeiro Avellar, e Fazenda Boa Sorte, de Quintiliano Gomes Ribeiro Avellar, por volta de 1835. Certamente nasceram para serem apenas uma e de coração sempre foram. Como documento, isso aconteceria anos mais tarde, não pelas mãos dos Avelar. As fazendas foram registradas oficialmente na Matriz de Paty do Alferes em 1856, muito tempo depois de os irmãos estarem de posse de ambas, já agora cumprindo determinação da Lei das Terras.

 A teoria mais provável é que a São Luiz tenha surgido Fazenda Guaribu. Luiz Gomes Ribeiro (o pai) morreu em 1839, mas já havia feito o seu testamento em vida dez anos antes (1829), e certamente daí as terras tanto da São Luiz como da Boa Sorte já teriam sido demarcadas..

Entretanto, antes de mais nada é preciso explicar como se construiu esta história. A origem da maioria das fazendas dos Ribeiro Avellar está ligada à grande Pau Grande e logo a seguir a Guaribu. É certo que esta história começa em 5 de maio de 1788, quando os irmãos Antônio Ribeiro de Avellar e José  Rodrigues da Cruz unem-se ao cunhado Antônio dos Santos e criam a Sociedade Avellar & Santos. Dois meses depois, a Sociedade adquire de Rodrigues da Cruz dois terços das terras e casa de vivenda do Pau Grande.

José Pereira de Almeida era casado com D. Ana Joaquina da Conceição, irmã de Antônio Ribeiro de Avellar e José Rodrigues da Cruz. José Pereira era irmão do rico comerciante e traficante de escravos João Rodrigues Pereira de Almeida – Barão de Ubá (o João segundo dados pesquisados era sobrinho do José Rodrigues da Cruz, de quem adquiriu a fazenda de Ubá, onde era administrador o João Ribeiro do Val). João foi um dos homens mais poderosos de sua época. Tão importante que é personagem do livro sobre o Barão de Mauá, ao qual deu apoio. 

Dos três sócios, apenas José  Rodrigues da Cruz vivia na fazenda, onde era administrador e, segundo conta a história, os outros dois sócios nunca ali estiveram. Por estar indiretamente envolvido na Conjuração Mineira, Antônio Ribeiro de Avellar, correspondente do “banqueiro dos conjurados” João Rodrigues de Macedo, teve que pagar com grande quantia de dinheiro para se livrar do processo. Deste modo, apesar de ter se livrado do processo de acusação de conjurado, ficou desgostoso e abatido, contrariado por tudo aquilo, e faleceu no Rio de Janeiro no dia 7 de julho de 1794.

Logo em seguida é aberto o processo de inventário. À frente do que sobrou de seus negócios fica sua viúva, D. Antônia Maria da Conceição. Auxiliada pelo genro Luiz Gomes Ribeiro, português que havia se enriquecido com a mineração em Serro Frio, Minas Gerais, e se casara em 1794 com sua filha Joaquina Matilde Assunção, resolve no ano seguinte (1795) mudar-se com os filhos para a Fazenda Pau Grande, mesmo sem concluir o inventário do marido.

Preocupados com a hipótese de uma longa tutoria, os sócios José Rodrigues da Cruz e Antônio dos Santos resolvem vender suas partes da Sociedade a Luiz Gomes Ribeiro. Com efeito, no dia 27 de abril de 1797 os dois passam escritura, os dois terços restantes da Sociedade, dos quais constavam terras (que haviam sido medidas e  julgadas  em  09  de  julho  de 1785), a fábrica de açúcar, escravos etc. A partir desta data, passa a Sociedade a ser administrada por Luiz Gomes Ribeiro junto com a sogra e os cunhados, alguns ainda menores.

Foi na Pau Grande que nasceram os primeiros filhos de Luiz Gomes Ribeiro e Joaquina Matilde, entre eles Maria Isabel de Assunção, futura baronesa de Paty do Alferes, em 1808, e Paulo Gomes Ribeiro de Avellar, o nosso Barão de São Luiz e proprietário da Fazenda São Luiz, 1809.

A administração de Luiz Gomes Ribeiro durou até 11 de julho de 1811 e foi, apesar de controvertida, muito ativa e enérgica. Foi ele quem levantou a nova sede da fazenda Pau Grande, construída entre 1808 e 1811. A administração de Luiz Gomes Ribeiro termina devido a divergências com a sogra e cunhados. Estes o acusam de não ter prestadocontas de alguns anos de sua administração, da venda das terras em Ubá e do sumiço de uma Sociedade de mineração que possuía com o sogro em Minas Gerais.

Em 1817, Luiz Gomes Ribeiro se retira da fazenda com a família para as terras do Guaribu, onde funda a fazenda do mesmo nome.  Em 1819 nasce na Guaribu Quintiliano Gomes Ribeiro Avelar, que seria mais tarde o proprietário da Fazenda Boa Sorte.

Em 1828, falece sua sogra, D. Antônia Maria da Conceição, que excluiu completamente a família de Luiz Gomes Ribeiro da partilha dos bens, mesmo tendo o testamento sido ditado por ela a seu neto João Gomes Ribeiro de Avellar, futuro Barão de Paraíba, filho do próprio Luiz Gomes Ribeiro e irmão de Paulo e Quintiliano. Conta-se que Dona Antônia alegou que o genro já havia recebido a parte da herança que cabia à sua esposa, uma vez que a sogra o acusava de ter usurpado o patrimônio da família no período em que administrou a Sociedade. Luiz Gomes Ribeiro morre em 1839. Nesta época, Paulo ainda administra a Encantos, que ficaria para sua mãe e mais tarde passaria para seu irmão Cláudio Gomes Ribeiro de Avelar.

No Museu Imperial de Petrópolis, no Arquivo Histórico, a Coleção de Gomes Carneiro pode nos indicar de fato a criação das fazendas São Luiz e Boa Sorte, pelos irmãos Paulo Gomes Ribeiro de Avelar e Quintiliano Gomes Ribeiro de Avelar.

Raríssimos, os documentos assinados por Paulo são respectivamente de 1842 e de 1846. O primeiro, uma carta-recibo de quantias recebidas por Paulo referentes a sua parte pela morte de Francisco G. Ribeiro, por conta da fazenda Japão. Na missiva o local assinalado ao lado da assinatura de Paulo, é Fazenda Pau Grande. Já na segunda carta, um pedido de empréstimo ao seu tio Joaquim, está claro que nosso Barão já está instalado na Fazenda São Luiz.

 

A São Luiz sob a administração de Paulo torna-se uma das mais produtivas fazendas de café do Vale. Entretanto, temos de voltar um pouco em nossa história para rever alguns fatos. Soubemos que Paulo se casa com Dona Feliciana José de Carvalho Avellar, lisboeta viúva de seu irmão Francisco.

Enquanto Paulo mostrava-se um grande administrador das terras e da produção da família, seu irmão Francisco Gomes Ribeiro Avelar vivia no Rio de Janeiro cuidando dos negócios da família e negociando a produção que descia do Vale. Em 1840 Francisco casa-se no Rio de Janeiro com Feliciana, conforme se verifica no resgistro original encontrado na Cúria Metropolitana do Rio.

Francisco falece logo após o casamento, em 1841. Neste mesmo ano, Paulo entra com um pedido de súplica à Câmara Eclesiástica para que libere a sua união com a viúva, impedido que estava de casar-se com a viúva do irmão. Mais ainda, e aí fica evidente sua relação muito próxima com a realeza, ele envia carta de próprio punho ao Imperador D. Pedro pedindo sua interferência. Era tamanha a influência de Paulo junto à Corte que o Bispo do Rio de Janeiro redige e envia carta em latim ao Papa suplicando a liberação do matrimônio.

O impedimento dura apenas um ano e é concluído em 1842. O casamento no entanto só acontece em 1846 na Matriz de Paty do Alferes. Marca deste movimento é o fato de a São Luiz já à época ser fundamental, por sua localização estratégica, principalmente para a pretensão  e manutenção dos negócios da família na região. O fato mais fundamental revelado por este documento não é apenas o teor da súplica, mas a evidente e importante relação de Paulo Gomes Ribeiro de Avelar, o Barão de São Luiz, com a Corte.

Em 1846 já casado com Dona Feliciana, Paulo finaliza a construção do casarão e impõe à fazenda toda experiência adquirida na administração das terras e bens da família. Logo a São Luiz desponta como uma das maiores produtoras de café. Moderno e ligado às novidades da capital, Paulo é dos primeiros a introduzir máquinas a vapor para beneficiamento do café. As primeiras máquinas de beneficiamento de café sobem a serra e um dos destinos é a São Luiz.

A inovação, a especial localização e a morte de Francisco fazem com que Paulo passe a comprar a produção de pequenos e médios produtores de toda região. A São Luiz passa a ser referência. As máquinas fazem com que o café beneficiado tenha grãos de melhor qualidade, o que vai se traduzir num produto especial que alcançará melhor preço no mercado do Rio de Janeiro e no exterior.

Paulo é sucesso não apenas como empresário e produtor, mas também como político influente na Região do Vale do Café. Ele é eleito por três legislaturas para a vereança da cidade.

Com tamanho sucesso pessoal e de sua própria fazenda, não espanta que Paulo siga exemplo do pai e faça em vida o testamento de um terço de suas posses. Nele fará o reconhecimento de sua única filha e de um pedido inusitado, que seu corpo ao morrer fosse enterrado na Capela dedicada a São Luiz, desde que sua construção tivesse sido concluída.

Voltemos para o que nos interessa. Paulo falece em 1870. Já no ano seguinte, sua viúva, Feliciana José de Carvalho Avellar vende a São Luiz a João Barbosa dos Santos Werneck. Dona Feliciana faleceu em Paty do Alferes em 17 de Dezembro de 1880. Fora da família Avelar, a São Luiz muda da nome, passa a se chamar São Luis de Ubá. Isso porque a família Werneck já era dona de outra fazenda com o mesmo nome, a São Luis de Massambará.

O coronel Quintiliano

Quintiliano Gomes Ribeiro de Avelar, o irmão mais próximo do nosso Barão, nascera em 1819, dez anos depois de Paulo. Foi dono da Fazenda Boa Sorte, que tinha suas terras coladas à São Luis, certamente fruto também das terras da Guaribu. Quintiliano casou-se com sua sobrinha Emilia Barbosa dos Santos, filha de sua irmã e para concretizar o matrimônio teve que enfrentar como Paulo o impedimento da Câmara Eclesiástica.. Conseguiu a liberação depois de súplica que reproduzimos a seguir.

Após a morte de Paulo, o coronel Quintiliano permanece tocando suas terras e em 1876, ele e os filhos recebem a visita do Conde D’Eu. Quintiliano criou para o Conde o Quarto do Príncipe, um belo espaço totalmente restaurado que poderá ser contemplado neste novo momento da São Luiz da Boa Sorte. Numa das reformas impostas ao casarão, fez alterações importantes, como a colocação de suas iniciais no portão que encima as escadarias, em 1877. Em perfeitas condições até hoje.

A Casa Grande é composta de: Quarto do Príncipe, Quarto da Varanda, Quarto Imediato, Alcova da Varanda, Sala de Visitas, Quarto Grande, Passagens, Sala da Sacada, Sala de Jantar, Quarto do Padre Cláudio.

Com a morte de Quintiliano em 1888, coube a seus herdeiros administrarem todos os bens deixados, que se pode verificar segundo os dados  pesquisados nos autos do inventário de Quintiliano Gomes Ribeiro de Avellar.  E  não eram poucos, e ainda através do inventário de Quintiliano se tem uma descrição da fazenda. Ali está a descrição das muitas casas existentes em suas terras, a forma como se dava a administração de seus bens. Assim como eram as Casas da Fazenda, principalmente a Casa Grande da Fazenda Boa Sorte, onde havia jardins, capela, enfermaria e engenhos entre outras construções.  

Três anos após o falecimento de Quintiliano em 1888 (cerca de 1891) seus herdeiros perdem grande parte dos bens, que vão a hasta pública, inclusive a Fazenda da Boa Sorte, que é arrematada por João Gomes dos Reis, que havia herdado junto com sua esposa Francisca Adelaide dos Santos, a Fazenda de São Luis, legado esse lhes dado por sua sogra Zeferina Adelaide, viúva que era de João Barbosa dos Santos Werneck.

Segundo artigo do “Jornal Vassourense” – ano X 4/1/1891 Suplemento N° 1 – Se pode ler o Edital de Leilão dos Bens do Coronel Quintiliano Gomes Ribeiro de Avellar, aconteceu no dia 13/1/1891. Ainda segundo o inventário, está a confirmação que a propriedade de Quintiliano foi adquirida no dia 13/1/1891 por João Gomes dos Reis, por quinhentos e vinte e cinco mil reis, em Leilão Público. (Doc. 103664272001. Ano de 1889. p. 201). 

Agora proprietários de duas das fazendas da família Gomes Ribeiro de Avellar, imagina-se que o casal Gomes dos Reis tenha unificado as fazendas, inclusive na denominação, passando a mesma a se chamar São Luis da Boa Sorte.

João Gomes dos Reis era um afamado jogador e namorador contumaz, pelo que se conta de histórias em Vassouras. Diz-se que namorou e procriou com várias das empregadas de suas fazendas. E como pesquisa é uma história sem fim, que colide aqui e ali com pequenos tesouros, nesta construção constatamos que do faz de contas se fez história real. João Gomes dos Reis realmente se coloca na história como um incontrolável namorador, tanto que  encontramos em nossa pesquisa algumas escrituras de doação. Uma delas vem corroborar aquilo que já falamos da Fazenda São Luis: a sua localização espacial.

Diz o documento encontrado no Centro de Documentação Histórica de Vassouras: “Escrita de Doação. Data 1918. Escritura de doação onde o coronel João Gomes dos Reis doa a Maria Escolástica da Conceição e Ana Escolástica da Conceição, solteiras e menores de idade, o Sítio São Luis de Massambará, desmembrado da Fazenda, com seis alqueires de terras mais ou menos, confrontando com herdeiros de Antonio Augusto Teixeira, com a Fazenda São Luis e com a Estrada do Comércio.”

Entretanto, a história mais incrível que envolve o coronel João, que por toda a sua saga já merece um publicação à parte, vai bater às portas do Tribunal de Contas do Município do Rio de Janeiro, onde Nestor é Conselheiro. Lá trabalha um fotógrafo que chama-se Ivan Gorito. Ele, assim que soube que estava sendo escrito um livro sobre a Fazenda São Luis da Boa Sorte ficou encantado e alardeou que sua família havia vivido na fazenda e que sua avó havia tido um relacionamento com o dono da fazenda

Buscamos a história e surpreendentemente nos deparamos com um belo fato. A bisavó de Ivan, Leontina da Silva foi de fato trabalhadora da fazenda e não apenas isso, ela foi uma das mulheres de João Gomes dos Reis e teve com ele cinco filhos, todos nascidos na fazenda, inclusive a mãe de Gorito, dona Francisca. A história mais que verdadeira pode ser comprovada em documento encontrado no CDH sob o Código 105664972003. Trata-se de doação do coronel João Gomes dos Reis de seis alqueires de terras desmembradas da Fazenda Boa Sorte, de sua propriedade, ainda antes da fusão à Fazenda São Luiz. Data da doação: 3 de outubro de 1918.

A saga de João Gomes dos Reis permanece por mais de 20 anos ainda. Em 1942, a Fazenda é vendida por Orlando Gomes dos Reis (provavelmente um de seus herdeiros) a Rodrigo Ventura Magalhães, que adquire a propriedade em ruínas e já sem o mobiliário original. Rodrigo realiza então uma grande reforma. Entretanto, procurando manter as características originais da Casa Grande.

O casarão é novamente reformado nos anos de 1973 e 1974, quando tem substituída a maior parte do madeiramento que se encontrava completamente destruído. Com a morte de Ventura, mais uma vez a fazenda é vendida. O comprador é o empresário Ricardo Pimentel, dono da Empresa e Comércio e Pecuária Ronair S/A. A São Luis da Boa Sorte já sobrevivia há um bom tempo como fazenda de gado. Neste período o casarão sofre nova reforma, com descaracterização de toda parte inferior. Tem-se que é neste período que se perdeu muito de seus móveis originais. 

Os caminhos que levam ao Rio de Janeiro

Como já se descobriu e apresentou aqui, o complexo que hoje chamamos de São Luiz da Boa Sorte originou-se da junção de duas propriedades antes independentes de com trajetórias interessantíssimas, haja visto a história que narramos sobre as doações efetuadas por João Gomes.

É certo afirmar que as fazendas eram muito bem situadas ao longo do século XIX. Entre os vários documentos compilados para a produção desta obra, observou-se a escritura de doação feita pelo Coronel João Gomes dos Reis a a Maria Escolástica da Conceição e Ana Escolástica da Conceição. Tratava-se do Sítio São Luiz de Massambará que foi desmembrado da Fazenda que confrontava com a São Luiz e a Estrada do Comércio, como já visto, uma das mais importantes variantes do caminho novo. Seu nome já diz tudo, a estrada foi fundamental a mudança do eixo econômico da região, já que era zona de circulação dos tropeiros a negociar vários produtos. A história vem confirmar a influência da São Luiz no ciclo áureo do café não apenas como sua produção e mais tarde o beneficiamento, mas também por sua posição estratégia para o comércio na região.

A estrada tornou-se uma das principais vias para escoar o café. Ao longo dela desenvolveu-se São Sebastião dos Ferreiros, lugar que passou a ocupar o status de Freguesia, devido a elevação do número de habitantes e chegava ao limite do município de Valença, no lugar hoje conhecido por Lacerda mas que a época era chamada de Comércio exatamente pelo volume de transações comerciais que lá aconteciam.

Mas se ao longo do século XIX, essa estrada era uma das principais vias de transporte, a situação estratégica da fazenda não foi alterada. Seu pórtico encravado a beirar a BR 393, no trecho chamado de Lúcio Meira – homenagem ao militar e engenheiro, que entre outras atividades foi interventor do Rio de Janeiro, Ministro da Viação e Obras Públicas e ocupou as presidências do BNDE e da CSN – a rodovia, efetivada em 1973, guarda uma longa trajetória de projetos e construção, que guardam relação íntima com a mudança do Eixo de desenvolvimento Nacional a partir da criação da CSN.

 

Fazenda do Secretário

 

A Fazenda do Secretário é o melhor exemplo de solar rural cafeeiro em estilo neoclássico existente no Brasil. Localizada no Município de Vassouras, a propriedade chegou a possuir 500.000 pés de café e 366 escravos. Restaurada e mobiliada ao estilo da época, o solar foi construído em meados do século XIX (1830) por Laureano Correa e Castro, o Barão de Campo Belo. O Barão foi coronel e Comendador da Ordem da Rosa. O título de Barão lhe foi agraciado em 1854 pelo Imperador Dom Pedro II.

 

A Fazenda do Secretário possui vários aposentos, uma escadaria importada da Europa em madeira de lei, capela, salão de baile e salas de jantar com pinturas do catalão José Maria Villaronga, conhecido por suas obras em estilo “trompe d’oeil”, uma das características da decoração interior das fazendas do Vale do Paraíba. Os jardins com sua extraordinária beleza e dimensão, possuem estátuas em ferro fundido da famosa fundição Barbezat & Co., localizada no Vale d’Osne. A Fazenda do Secretário foi retratada por Vitor Frond, renomado pintor, e já serviu de cenário para várias produções da TV Globo, como as minisséries “Os Maias” e “ Os Quintos dos Infernos”.

 

Informações:

 

Sra. Martha Ribeiro de Britto

 

Tel: (24) 2488-0150 ou (21) 2544-8850